TJ-SP nega habeas corpus e mantém Deolane Bezerra presa

Polícia Civil classifica advogada como peça central na estrutura financeira do PCC; Flávio Dino já havia rejeitado prisão domiciliar

Por , São Paulo | Atualizado em:
(Foto: Reprodução/Redes Sociais)

O Tribunal de Justiça de São Paulo negou, nesta quinta-feira (25/06), o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Deolane Bezerra. A decisão, proferida no mérito, mantém a prisão preventiva da influenciadora e advogada.

Deolane está detida na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior paulista, desde uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo deflagrada em 21 de maio. A ação investiga um esquema de lavagem de dinheiro com suposta ligação ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Acusações e papel atribuído à influenciadora

Segundo a Polícia Civil de SP, Deolane seria uma das figuras mais relevantes no esquema financeiro da facção. O delegado Edmar Caparroz explicou o mecanismo investigado: “O crime organizado deposita os valores nessa figura pública, esse dinheiro acaba se misturando com o dinheiro de outras atividades, e quando precisa esses recursos retornam para o crime organizado”

O inquérito, cujos trechos foram obtidos pela TV Globo, afirma que “Deolane Bezerra dos Santos é hoje uma das mais importantes pessoas integrantes do vasto e diferenciado esquema de lavagem e capitais gerido pela organização criminosa.”

O Ministério Público e a Polícia Civil apontam que contas de Deolane receberam repasses de uma transportadora para ocultar a origem de recursos do PCC. A investigação tem entre os alvos Marcola, apontado como chefe da facção, além de familiares e associados, como sua sobrinha Paloma Sanches Herbas Camacho e o irmão Alejandro Camacho.

Defesa e decisões judiciais

Deolane nega as acusações. Ela afirma ter recebido R$ 24 mil de um cliente pelo exercício da advocacia, valor que estaria na origem de parte das suspeitas. A Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP) suspendeu seu exercício profissional.

Antes da decisão do TJ-SP, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), já havia rejeitado um pedido de prisão domiciliar. Segundo o STF, Dino considerou que não havia manifesta ilegalidade na prisão para justificar a medida.

Histórico da investigação

As apurações tiveram início em 2019, quando agentes penitenciários encontraram bilhetes manuscritos dentro de uma penitenciária. A partir desse material, a Polícia Civil de SP passou a mapear a rede financeira da facção.

Em 2025, Deolane já havia sido investigada pela Polícia Civil de Pernambuco por lavagem de dinheiro relacionada a empresas de apostas online. Naquele caso, a apuração apontou investimentos em carros e imóveis de luxo com recursos de R$ 65 milhões ligados ao setor.

Com 21 milhões de seguidores no Instagram, Deolane ganhou projeção nacional após a morte de seu marido, o funkeiro MC Kevin, em 2021. O filho adotivo dela, Giliard Vidal dos Santos, conhecido como Chefinho, também foi alvo de busca e apreensão na operação de maio.

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