A Polícia Militar afirma que está colaborando com as investigações envolvendo dois policiais militares que teriam manipulado as câmeras corporais usadas durante a ação que terminou com a morte do estudante Daniel da Costa Ferraz, de 19 anos, no Complexo do Chapadão, na Zona Norte do Rio. A Defensoria Pública acompanha o caso, que foi divulgado na terça-feira (19/05) pela TMC.
A reportagem teve acesso a um relatório técnico que cita que as câmeras corporais dos agentes ficaram fora de uso justamente no horário da ocorrência, em maio de 2024.
A Procuradoria-Geral do Estado solicitou oficialmente informações à Polícia Militar e à Polícia Civil sobre uma investigação interna envolvendo os policiais Felipe Cunha Campos Silva e Jeremias Santana Amaral, integrantes do Grupamento de Ações Táticas.
De acordo com a análise, as câmeras corporais dos PMs foram posicionadas de frente para armários dentro da unidade policial durante toda a operação. Em um dos trechos, o relatório afirma que as imagens permaneceram “totalmente escuras” e, depois, passaram horas apontadas para armários, sem registrar a ação.
O relatório ainda aponta inconsistências entre a versão apresentada pelos policiais e os laudos do caso. Testemunhas afirmam que Daniel estava indo para a escola, usando uniforme e mochila, quando foi baleado, enquanto os PMs alegaram confronto armado após revidarem a um ataque. No entanto, a Defensoria ressaltou que nenhum elemento de prova indicou que o jovem estivesse armado ou efetuando disparos contra a equipe policial.
Daniel e um outro jovem de 17 anos foram baleados. A mochila dele nunca foi recuperada. Às famílias das duas vítimas foram devolvidos apenas telefone celular, carteira de identidade e um cordão.
No documento, a DPRJ cita que o laudo de exame de necropsia apontou que Daniel morreu em razão de traumatismo crânio-encefálico decorrente de ação perfurocontundente por projétil de arma de fogo. Segundo o laudo, o estudante foi atingido três vezes pelas costas, o que contraria a versão apresentada pelos policiais, de que houve confronto de frente.
De acordo com a Defensoria, o próprio policial Jeremias Santana admitiu que nenhum disparo das supostas vítimas atingiu a viatura. Além disso, a localização das lesões indicaria que Daniel estaria de costas para os agentes no momento em que foi baleado.
O órgão também ressaltou que vídeos gravados por moradores na época mostram Daniel sentado em uma escadaria, aparentemente já ferido, com as mãos na cabeça. Um policial surge no enquadramento, passa por ele e nada faz. O relatório destaca ainda que o único material probatório é a palavra dos dois policiais que retiraram seus equipamentos de serviço antes de iniciarem o patrulhamento.
A reportagem da TMC tenta contato com as defesas dos policiais citados e aguarda posicionamento da Procuradoria-Geral do Estado.
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