Ata do Copom indica juros altos por mais tempo, mas Ibovespa sobe com Petrobras

Colegiado do Banco Central aponta desancoragem de expectativas e inflação pressionada; no exterior, dados fortes nos EUA derrubam Nova York

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Foto de parte de um painel da Bolsa de Valores de SP
(Foto: Germano Lüders/InfoMoney)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sinalizou que o cenário inflacionário brasileiro sofreu deterioração, exigindo uma restrição monetária maior e por mais tempo do que o estimado anteriormente.

A mensagem constou na ata da última reunião do colegiado, divulgada nesta terça-feira (23/06), na qual a taxa Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. O documento, que destacou a desancoragem adicional das expectativas e as surpresas altistas no IPCA corrente geradas pelas tensões internacionais, foi o principal catalisador dos negócios domésticos.

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Apesar do tom mais rígido adotado pela autoridade monetária, o mercado acionário local encontrou fôlego para avançar, destoando do exterior. Em Nova York, as bolsas fecharam em queda expressiva, com o S&P 500 recuando 1,44% e o Nasdaq caindo 2,21%, após o Índice de Gerentes de Compras (PMI) composto dos Estados Unidos subir para 52,2 pontos em junho, a máxima em cinco meses, alimentando o temor de que o Federal Reserve mantenha os juros elevados.

O impacto negativo das big techs americanas foi contraposto no Brasil pelo otimismo geopolítico: o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, afirmou que as negociações com o Irã avançaram e criaram uma boa base para um acordo final definitivo, com foco na manutenção do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz.

Ibovespa reage à ata

O Ibovespa encerrou a sessão de negócios desta terça-feira em alta de 0,52%, aos 171.258,87 pontos, registrando um ganho acumulado de 888,49 pontos. O principal índice da B3 sustentou o sinal positivo puxado pelas ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3; PETR4), que subiram 0,78% e 0,41%, respectivamente, atuando como o principal pilar de sustentação da carteira teórica.

O desempenho positivo do índice ignorou o recuo de 1,89% da Vale (VALE3), que se desvalorizou após convocar uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) virtual para o dia 22 de julho. A reunião foi formalizada a pedido da Previ (detentora de 7,01% do capital social da mineradora) para deliberar sobre a destituição do conselheiro Daniel André Stieler e avaliar a indicação de José Maurício Pereira Coelho para o cargo.

Na ponta das maiores altas do dia, as ações da General Shopping (GSHP3) dispararam 40,07%, enquanto no índice restrito os ganhos foram liderados pela MBRF (MBRF3), com avanço de 9,88%.

Dólar

O dólar comercial fechou o dia em alta de 0,88%, negociado a R$ 5,187 na venda. A moeda norte-americana manteve uma trajetória predominantemente altista durante o pregão, registrando a cotação mínima de R$ 5,162 e tocando a máxima diária de R$ 5,191.

O movimento de valorização da divisa refletiu o choque de dados econômicos globais e domésticos. No ambiente externo, o PMI composto surpreendentemente forte nos EUA atraiu fluxo de capital para os títulos do Tesouro americano, fortalecendo o dólar globalmente.

No cenário interno, a leitura minuciosa da ata do Copom reforçou que a taxa de juros brasileira precisará continuar restritiva por um período prolongado para combater as pressões inflacionárias. Esse diagnóstico de juros altos por mais tempo elevou a curva de juros futuros de longo prazo, levando investidores institucionais a buscarem proteção no câmbio à vista.

O avanço do Ibovespa em meio ao tombo de Nova York sinaliza que o investidor doméstico preferiu focar na blindagem oferecida pelas estatais de energia.

A ata do Copom chancelou as teses mais conservadoras do mercado e retirou o prêmio de risco de uma Selic excessivamente baixa no curto prazo.

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