Putin chama guerra na Ucrânia de “justa” e critica a Otan em meio à trégua

Presidente russo criticou Otan durante cerimônia que marcou o 81º aniversário do fim da Segunda Guerra, enquanto Trump anunciou trégua de 3 dias

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Vladimir Putin discursa em Moscou
(Foto: Sputnik/Alexander Kazakov/Pool via Reuters)

O presidente russo Vladimir Putin classificou a invasão da Ucrânia como uma “causa justa” e criticou a Otan durante discurso no desfile militar que marcou o Dia da Vitória, neste sábado (09/05), em Moscou. A cerimônia na Praça Vermelha celebrou o 81º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, mas teve formato inédito: pela primeira vez, tanques e armamentos pesados não percorreram as ruas da capital.

Segundo informações da Reuters, os equipamentos militares foram exibidos apenas em telões gigantes instalados na Praça Vermelha. A mudança ocorreu em meio a alertas russos sobre possíveis ataques ucranianos durante a celebração. Tropas norte-coreanas participaram do desfile pela primeira vez, marchando ao lado de soldados russos.

Leia mais: Trump anuncia cessar-fogo de 3 dias entre Rússia e Ucrânia

Em discurso de 8 minutos, Putin atacou o apoio da Otan à Ucrânia. “O grande feito da geração vitoriosa inspira os soldados que hoje executam as tarefas da operação militar especial. Eles estão enfrentando uma força agressiva, armada e apoiada por todo o bloco da Otan. E, apesar disso, nossos heróis avançam”, afirmou o presidente russo.

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Críticas em meio à trégua de três dias

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na sexta-feira (08/05) um cessar-fogo de três dias entre Rússia e Ucrânia, válido deste sábado até segunda-feira. Segundo Trump, os dois países concordaram em trocar 1.000 prisioneiros durante a trégua. Tanto o Kremlin quanto Kiev apoiaram a iniciativa.

“Eu gostaria que isso parasse. Rússia-Ucrânia — é a pior coisa desde a Segunda Guerra Mundial em termos de qualidade de vida. Vinte e cinco mil jovens soldados todos os meses. É uma loucura”, declarou Trump.

O presidente russo realizará reuniões bilaterais neste sábado, mas não há detalhes sobre os encontros.

Moscou sob esquema de segurança reforçado

A capital russa, com 22 milhões de habitantes, amanheceu com ruas bloqueadas e soldados armados em pontos estratégicos. De acordo com informações da AFP, as autoridades russas bloquearam o acesso à internet no centro da cidade durante o desfile. A medida afetou moradores e visitantes que tentavam se comunicar ou acessar redes sociais.

A Rússia havia alertado que realizaria um ataque maciço caso a Ucrânia tentasse interromper o desfile. Moscou informou diplomatas sobre possível evacuação em caso de incidentes. Em resposta, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy emitiu um decreto irônico autorizando o desfile russo.

O desfile do Dia da Vitória é a principal celebração militar da Rússia e serve como demonstração de força do Kremlin. A ausência de tanques nas ruas e o reforço de segurança indicam preocupação com ataques ucranianos. A trégua anunciada por Trump pode abrir caminho para negociações, mas especialistas alertam que o conflito, iniciado em 2022, ainda está longe de uma solução definitiva.

A participação de tropas norte-coreanas no desfile reforça a aproximação entre Moscou e Pyongyang, enquanto a Rússia enfrenta isolamento internacional por causa da invasão. A guerra já causou a morte de 27 milhões de pessoas na Segunda Guerra Mundial — número que Putin evocou para justificar a operação militar na Ucrânia.

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