Gilmar Mendes pede desculpas por citar homossexualidade ao rebater Romeu Zema

Ministro do STF reconheceu erro em publicação no X após declarações gerarem repercussão negativa na quinta-feira

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Antonio Augusto/STF)

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes se desculpou publicamente na quinta-feira (23/04) por ter mencionado a homossexualidade ao responder às críticas do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). O pedido de desculpas foi publicado na rede social X às 23h56. O episódio ocorre em meio a um embate entre o magistrado e o pré-candidato à Presidência.

Gilmar Mendes reconheceu o erro em publicação na rede social X após declarações feitas em entrevista ao portal Metrópoles. Na entrevista concedida mais cedo no mesmo dia, o ministro havia comparado as críticas de Zema ao Supremo com a hipótese de retratar o ex-governador como homossexual. A declaração gerou repercussão negativa.

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“Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa contra o ex-governador Romeu Zema. Desculpo-me pelo erro”, afirmou o ministro. Ele também declarou que existe “uma indústria de difamação e de acusações caluniosas” contra o Supremo. O magistrado completou: “Reitero o que está certo”.

Na entrevista ao Metrópoles, Gilmar havia questionado: “Se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições, imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo?”.

Romeu Zema respondeu em publicação no X que “só ofende quando tem fundo de verdade”. O ex-governador reagiu com emoji de risada a uma imagem gerada por inteligência artificial que mostra um boneco dele com uma bandeira da comunidade LGBTQIA+.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) participou da repercussão. Ele acusou o ministro de homofobia.

Pedido de investigação contra Zema

O ministro fez a comparação ao rebater as críticas que Romeu Zema tem direcionado ao STF. Gilmar Mendes enviou nesta semana ao colega Alexandre de Moraes um pedido de investigação contra Zema no inquérito das fake news.

O vídeo divulgado por Zema no mês passado mostra um boneco que imita Gilmar Mendes conversando com outro que representa o ministro Dias Toffoli sobre o caso Banco Master. Nas imagens, o fantoche de Toffoli pede ao de Gilmar que suspenda a quebra de seus sigilos, determinada pela Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado, do Senado. O boneco do magistrado então anula a decisão.

Em troca, ele pede “só uma cortesia lá do teu resort que tá pago, ‘tô’ a fim de dar uma jogadinha essa semana”. A fala faz referência ao Tayayá, que tinha participação de Toffoli e foi comprado por um fundo ligado a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Moraes enviou o caso à Procuradoria-Geral da República. A PGR deverá analisar o pedido de investigação contra Zema. O procedimento tramita em sigilo. Não há informação sobre quando a Procuradoria-Geral da República irá se manifestar sobre o caso.

Zema critica o STF

Em entrevista exclusiva à TMC, nesta terça-feira (21), o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema atacou o Supremo Tribunal Federal (STF). O mineiro afirmou que a corte se transformou no “Supremo Balcão de Negócios” e disse ser vítima de um ataque à liberdade de expressão.

“Estamos vivendo um cerceamento ao direito de expressão. Fui governador por quase oito anos, fui criticado o tempo todo por meios de comunicação, por entidades de classe, sindicalistas. Fizeram o meu enterro não sei quantas vezes em Minas Gerais, fizeram caricaturas, bonecos. Pergunte se eu, alguma vez, fui reclamar… Eu sei conviver com a democracia. E crítica faz parte da democracia”, afirmou Zema. 

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