Agência de ex-marqueteiro de Flávio Bolsonaro tem R$ 99 mi em contratos federais

Empresa de publicidade obteve acordos no governo Bolsonaro e manteve renovações na gestão Lula, com R$ 59,6 mi ainda a receber

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Senador Flávio Bolsonaro e Parlamentares da oposição durante coletiva a imprensa para falar sobre a condenação no STF.
(Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

A empresa de publicidade Cálix Propaganda, do ex-marqueteiro da campanha de Flávio Bolsonaro, acumula R$ 99 milhões em acordos comerciais com o Executivo federal. Os contratos, firmados durante a gestão de Jair Bolsonaro e mantidos sob o governo Lula, já renderam R$ 39,7 milhões à agência.

A agência pertence a Marcello Lopes, substituído pela coordenação da campanha de Flávio nesta semana, após a divulgação de áudio entre o filho de Jair Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. 

Segundo dados do sistema de compras públicas, o governo federal ainda deve pagar R$ 59,6 milhões à empresa. O montante inclui R$ 32,9 milhões referentes a notas emitidas neste ano e R$ 26,7 milhões de faturas de exercícios anteriores.

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A agência, fundada em 2003, obteve seus primeiros acordos com a administração pública federal durante o mandato de Bolsonaro. O primeiro contrato foi fechado no final de 2021 com a pasta então comandada por Rogério Marinho, hoje líder da oposição no Senado e coordenador da campanha presidencial de Flávio.

O segundo acordo foi estabelecido no meio de 2022 com o ministério chefiado por Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo. A formalização ocorreu apenas no início de 2023.

Na gestão petista, os contratos passaram por três renovações. O acordo com a pasta da Infraestrutura teve sua vigência estendida até 2026, enquanto o outro contrato segue ativo até 2027.

Valores e pendências

Os dois acordos geraram compromissos financeiros de R$ 91,8 milhões em faturas empenhadas. Desse total, R$ 22,6 milhões foram quitados nos próprios anos de faturamento, enquanto R$ 17 milhões foram pagos em exercícios fiscais posteriores.

O Executivo federal terá de arcar com um acréscimo de R$ 7,5 milhões em encargos financeiros e penalidades. Quatro notas de empenho específicas somam R$ 3,9 milhões adicionais em juros e multa.

Os contratos estabelecem tetos anuais de R$ 55 milhões e R$ 14,97 milhões, valores que funcionam como limite máximo de faturamento para a prestadora de serviços.

Leia mais: PF rejeita proposta de delação de banqueiro Daniel Vorcaro

Mudança na coordenação de campanha

O publicitário Marcello Lopes, ex-policial civil, deixou a coordenação de comunicação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro na quarta-feira (20/05). Segundo ele próprio, a decisão partiu de sua iniciativa, com o objetivo de concentrar esforços em sua própria empresa.

Eduardo Fischer assumirá o comando da comunicação da campanha presidencial do senador. A entrada oficial de Lopes na estrutura de campanha estava prevista para 1º de junho.

A saída ocorreu no mesmo dia em que Flávio admitiu ter visitado o banqueiro Daniel Vorcaro. O senador é pré-candidato à Presidência pelo Partido Liberal (PL) e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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