O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ordenou o congelamento de R$ 227 mil nas contas de Ana Cristina Valle, ex-segunda esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão tem origem em irregularidades detectadas na prestação de contas de sua candidatura a deputada distrital pelo Distrito Federal nas eleições de 2022, quando disputou o pleito pelo Progressistas.
Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), os gastos totais da campanha somaram R$ 303.488,96. Desse total, 44,31% das despesas não tiveram documentação apresentada, conforme apurou a Justiça Eleitoral. Antes da correção monetária, o valor sem comprovação chegava a R$ 134,4 mil.
Entre as falhas apontadas pela Justiça Eleitoral, consta uma transferência de R$ 35.150 voltada à militância sem nenhum documento comprobatório. O processo identificou ainda gastos de R$ 3 mil com combustível igualmente sem respaldo documental.
Intimações sem resposta
Durante a tramitação do processo, a Justiça Eleitoral notificou Ana Cristina Valle por duas vezes, solicitando esclarecimentos e documentação adicional. A ex-deputada não respondeu a nenhuma das notificações. A prestação de contas final, por sua vez, foi entregue após o encerramento do prazo previsto.
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Na prática, a ausência de documentação em quase metade dos gastos impede que a Justiça Eleitoral verifique se o dinheiro público de campanha, proveniente do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), fundo público destinado a financiar candidaturas, foi usado de forma regular.
Alcance do bloqueio
Caso o valor bloqueado nas contas bancárias seja insuficiente para cobrir os R$ 227 mil, o TSE informou que a medida pode se estender a imóveis e veículos de Ana Cristina Valle.
Nas eleições de 2022, a candidata obteve 1.485 votos e não conquistou uma cadeira na Câmara Legislativa do Distrito Federal.




