Como funciona a sabatina para ministro do STF no Senado

Indicado pelo presidente, candidato passa por uma longa arguição na CCJ antes de votação final no plenário

Por Redação TMC | Atualizado em
Jorge Messias gesticula enquanto fala ao microfone no Congresso Nacional
(Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

A escolha de um ministro do Supremo Tribunal Federal não termina com a indicação do Presidente da República. Antes de assumir o cargo, o nome precisa passar por uma sabatina no Senado Federal, etapa decisiva que avalia a capacidade técnica e a conduta do indicado.

O rito se inicia quando a indicação presidencial chega ao Senado e é encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça. Um senador é escolhido como relator, responsável por analisar o currículo do indicado e apresentar um parecer.

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Após a leitura do relatório, é comum que haja pedido de vista, momento em que os parlamentares solicitam mais tempo para avaliar a indicação antes da sabatina.

A sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado ao Supremo Tribunal Federal, já tem data e relator definidos no Senado Federal. O processo segue o rito constitucional e deve ocorrer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta quarta-feira (29/04), pela manhã.

O responsável por analisar o nome indicado é o senador Weverton Rocha. Ele já apresentou parecer favorável à indicação, entendendo que Messias atende aos requisitos de “notável saber jurídico” e “reputação ilibada”, exigidos pela Constituição. O relatório é uma etapa fundamental, pois serve de base para os senadores durante a sabatina e a votação na comissão.

A sabatina: perguntas e respostas

Na fase mais aguardada, o indicado comparece à CCJ para responder aos senadores. Ele faz uma exposição inicial, geralmente de até 30 minutos, apresentando sua trajetória e visão jurídica.

Em seguida, começa a arguição:

  • Cada senador tem cerca de 10 minutos para fazer perguntas
  • O indicado dispõe de tempo semelhante para responder
  • Há possibilidade de réplica e tréplica, com cerca de 5 minutos cada

A sabatina também pode contar com participação popular, por meio de perguntas enviadas pelo portal e-Cidadania do Senado.

Embora o rito seja padronizado, a duração da sabatina varia bastante. Sessões podem ultrapassar 10 horas, como ocorreu nas sabatinas de Alexandre de Moraes e Edson Fachin, marcadas por debates intensos e questionamentos aprofundados.

O que os senadores avaliam

Durante a sessão, os parlamentares buscam verificar se o candidato atende aos critérios constitucionais de “notável saber jurídico” e “reputação ilibada”.

Entre os temas mais frequentes estão:

  • Independência entre os Poderes e limites de atuação do Judiciário
  • Ativismo judicial e o papel do STF na interpretação da Constituição
  • Pautas polêmicas, como aborto, drogas, casamento LGBTQIA+ e maioridade penal
  • Trajetória profissional, especialmente se o indicado teve atuação política
  • Posicionamentos em julgamentos relevantes
  • Possíveis impedimentos ou conflitos de interesse
  • Defesa de direitos fundamentais e liberdades individuais

Votação e aprovação

Após a sabatina, ocorre uma votação secreta na CCJ. Se aprovado por maioria simples, o nome segue para o plenário do Senado.

Na etapa final, o indicado precisa de maioria absoluta — pelo menos 41 dos 81 senadores — para ser confirmado e nomeado ministro do STF.

Leia mais: Jorge Messias recebe parecer favorável e terá sabatina no Senado em 29 de abril

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