Bruno Rizzi
Bruno Rizzi Mais sobre o autor

Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

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Flávio e Vorcaro: 9 pontos para entender o impacto. Mil pontas soltas no caminho

Crise de Flávio Bolsonaro acirra disputa na direita, mas mantém polarização forte para 2026

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Senador Flávio Bolsonaro e Parlamentares da oposição durante coletiva a imprensa para falar sobre a condenação no STF.
(Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

1. Polarização

    O avanço das investigações envolvendo o Banco Master e os áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro ainda não configuram, neste momento, um “game changer” eleitoral capaz de alterar estruturalmente a disputa presidencial de 2026.

    A polarização política segue como principal elemento organizador do cenário nacional e continua sustentando a competitividade tanto do campo lulista quanto do bolsonarista. O eleitorado dos dois polos permanece fortemente fidelizado, reduzindo a possibilidade de migração significativa de votos mesmo diante de fatos negativos com ampla repercussão pública.

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    2. Candidatura

    A candidatura de Flávio segue sendo o cenário base. O episódio aumenta ruídos, mas não altera, por ora, a lógica de que a escolha de Jair Bolsonaro por Flávio fazia sentido inclusive em um cenário de derrota, preservando o protagonismo político da família na oposição ao PT.

    Flávio Bolsonaro continua com forte defesa nas redes bolsonaristas e base consolidada o suficiente para sustentar, neste momento, presença competitiva no segundo turno (apesar dos apesares).

    3. Disputa na oposição

    A oposição a Lula passa a viver uma disputa mais explícita. Ricardo Salles e Romeu Zema já fazem cobranças públicas e tentam ocupar espaço político diante do desgaste. Ainda assim, o único nome efetivamente viável para substituir Flávio seria Michelle Bolsonaro, hipótese que segue minoritária e com resistência interna.

    O fator decisivo continua sendo Jair Bolsonaro, que até aqui não sinalizou mudança de posição (pelo contrário, parece ter demonstrado apoio à manutenção de Flavio).

    4. Flávio Bolsonaro

    A continuidade de novos fatos e exposições públicas ligando Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro será relevante para definir o tamanho do eventual desgaste eleitoral até a campanha. Temas que dominam o debate público por alguns dias tendem a perder espaço conforme a agenda política avança.

    Casos recentes, como a crise da segurança pública no Rio de Janeiro e a rejeição de Jorge Messias ao STF (ambas com repercussões negativas para Lula e seu governo), mostram como assuntos de grande repercussão podem ser absorvidos pela dinâmica política e de opinião pública. E simplesmente cairem num certo “limbo” após outros fatos tão midiáticos quanto – ou até mais.

    5. Romeu Zema

    Zema pode crescer marginalmente no debate público caso o desgaste de Flávio persista, absorvendo parte desse eleitorado. Ainda assim, não vejo espaço para que ele se consolide como principal contraponto a Lula.

    Além disso, sua postura recente praticamente o retira da discussão sobre eventual vice de Flávio e reforça o cenário de candidatura própria pelo Partido Novo.

    Um eventual apoio em 2º turno também se torna incerto, mas a narrativa do anti-PTismo deve ainda prevalecer (repito: é a polarização afetiva quem se sobressai).

    6. Ronaldo Caiado

    Ronaldo Caiado adotou postura diferente da de Zema, defendendo mais união no campo da direita e evitando ataques diretos a Flávio. Isso, porém, não significa retirada de candidatura ou alinhamento. Trata-se de uma estratégia distinta para disputar o mesmo eleitorado.

    7. Governo

    No governo, ainda existe cautela em relação ao surgimento de novos fatos envolvendo aliados de Lula. Apesar disso, a percepção predominante é de que a maior parte dos desgastes atuais recai sobre nomes ligados à oposição, o que faz com que o Planalto enxergue, na margem, saldo político favorável na continuidade das investigações. Além disso, consideram uma vitória esse distanciamento do rótulo de uma corrupção “do sistema” – de certa forma abstrata, sem um sujeito definido – como vinha sendo percebida e, portanto, caindo no colo de Lula em forma de rejeição/desaprovação. Agora os sujeitos têm nome e sobrenome e, até o momento, estão na oposição.

    8. Campanha

    O tema deve se transformar em um dos principais eixos narrativos da campanha eleitoral. O campo lulista tende a conectar Ciro Nogueira, Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro, Daniel Vorcaro e Roberto Campos Neto em uma narrativa mais ampla. Do outro lado, a oposição deve buscar associar o caso a outros episódios de corrupção envolvendo o PT, além de explorar vínculos políticos de Daniel Vorcaro na Bahia, estado essencial para a estratégia eleitoral de Lula.

    9. Probabilidade nas urnas

    A principal vantagem de Lula continua sendo a posição de incumbente, que permite criar agendas positivas e corrigir rumos do governo com mais facilidade. Nos demais candidatos, o risco tende a estar mais concentrado na figura pessoal e em desgastes individualizados, como está acontecendo com Flávio. Por tudo isso mantenho minha visão de um leve favoritismo de Lula, como já verbalizo há pelo menos um ano, ou seja, independentemente de audios, operações em comunidades, CPIs, relações com Congresso Nacional e afins. A polarização afetiva ainda mantém o cenário acirrado e pouco variável para ambos os lados.

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