O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou enfaticamente, nesta sexta-feira (29/05), a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Durante pronunciamento em um evento em Sergipe, o chefe do Executivo brasileiro defendeu a soberania nacional e rechaçou qualquer possibilidade de intervenção externa na segurança pública do país.
“Não aceitamos ser tratados como moleques”, declarou Lula, afirmando que o Brasil não agirá como uma “republiqueta”. O petista pontuou que, embora as facções atuem de forma análoga ao terrorismo no cotidiano das periferias brasileiras — afetando diretamente famílias e bairros —, a responsabilidade pelo combate ao crime organizado pertence exclusivamente às instituições e leis do Brasil, citando avanços como a aprovação da Lei Antifacção.
O anúncio da nova classificação foi feito na quinta pelo Departamento de Estado americano, sob a liderança do secretário de Estado, Marco Rubio, com a chancela da administração de Donald Trump. A medida ocorreu logo após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, reunir-se com Rubio em Washington.
Cobrança de extradições e críticas à oposição
Ao contestar a postura americana, Lula expressou decepção e afirmou que o Brasil está pronto para cooperar no combate à criminalidade transnacional, mas demandou reciprocidade de Washington. O presidente sugeriu que os esforços bilaterais comecem pelo estado americano de Delaware — apontado por ele como destino de lavagem de dinheiro de brasileiros — e pelo controle do contrabando de armas de fogo americanas enviadas ilegalmente ao território nacional.
O mandatário cobrou formalmente a entrega de foragidos da Justiça brasileira que se encontram em solo norte-americano. Ele citou nominalmente o ex-deputado federal Alexandre Ramagem — que aguarda pedido de asilo nos EUA após ser condenado, juntamente com o ex-presidente Jair Bolsonaro, por tramar um golpe de Estado — e o empresário Ricardo Magro, controlador do Grupo Refit, alvo de recentes operações da Polícia Federal e da Receita Federal por contrabando de combustíveis.
Lula afirmou ter entregado documentos e fotografias dos acusados diretamente a Donald Trump durante uma reunião de três horas realizada no início da semana. No mesmo discurso, o presidente subiu o tom contra Flávio Bolsonaro, classificando a ida do parlamentar aos EUA para supostamente articular a medida como “traição à pátria”.
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Planalto alerta para prejuízos econômicos e impactos no Pix
Minutos antes do pronunciamento presidencial, o Palácio do Planalto emitiu uma nota oficial que adota a mesma linha de argumentação. O texto enfatiza que “medidas unilaterais e não negociadas” podem desestabilizar as ações de segurança em andamento, prejudicar o compartilhamento de dados de inteligência entre as polícias e colocar em risco a vida de civis inocentes.
O comunicado do governo brasileiro trouxe ainda um alerta sobre potenciais impactos de sanções automáticas decorrentes da designação de terrorismo. De acordo com o Planalto, a medida pode retaliar o sistema financeiro nacional e afetar o funcionamento de inovações como o Pix, ferramenta de pagamentos instantâneos que, segundo a nota, incomoda “interesses estrangeiros”.
“A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança”, concluiu o documento do Executivo.




