O senador Plínio Valério (PSDB-AM) afirmou que a oposição no Senado está mobilizada para impor uma derrota ao governo federal ou garantir que a aprovação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) ocorra com a menor margem de votos possível.
Em entrevista exclusiva ao repórter Igor Damaceno, no programa TMC 360,o parlamentar destacou que o seu voto contrário não é baseado em questões pessoais, mas sim estritamente políticas.
“Quando o Messias me visitou no gabinete, eu disse a ele que o problema não era pessoal, pelo que ele representa. E ele representa o governo do PT”, relatou o senador. Segundo Valério, “cada vez mais o presidente Lula vai diminuindo a distância entre amizade e ministro”. O senador concluiu o raciocínio afirmando que, para a oposição, a entrada de Messias na Corte significaria “mais um lulista lá dentro”.
Critérios constitucionais e críticas ao STF
Questionado se Jorge Messias preenche os requisitos constitucionais de notório saber jurídico e reputação ilibada, Valério foi enfático ao afirmar que esses critérios deixaram de ser a base para a escolha de ministros.
“Isso era lá atrás quando vigorava a lei. Hoje não vigora mais nada”, declarou o parlamentar. O senador argumentou que a sabatina se transformou em uma disputa de forças, afirmando que “hoje é um ato político aqui”.
Valério também subiu o tom contra a atual composição do STF, citando nominalmente três ministros que, segundo ele, prejudicam o andamento institucional do país. “Enquanto Moraes estiver por ali e tiver esse trio — Moraes, Gilmar e Dino —, o negócio fica ruim”, disse ele, acrescentando que “uma [indicação] a mais, uma a menos, não vai fazer diferença” nesse cenário.
Placar apertado e pressão do eleitorado
Embora a aprovação exija 41 votos no plenário, Plínio Valério projeta um cenário de alto risco e ineditismo. Segundo o parlamentar amazonense, o bloco de oposição tem entre “29 a 32 votos” consolidados contra a indicação de Messias.
“Ou a gente rejeita ou ele vai passar por uma coisa mínima”, previu o senador, estimando que o resultado final será definido por uma diferença estreita de “dois a quatro votos de um lado ou do outro”.
Ao ser questionado se uma rejeição inédita no Senado desde a República Velha não traria ainda mais insegurança institucional e desarmonia entre os Poderes, Valério justificou a sua posição de confronto com base na pressão da sua base eleitoral.
“O clamor que vem das ruas, o que eu ouço do meu eleitor em Manaus, que é uma capital mais de direita, é contra [a aprovação]. Por isso que eu te falei que hoje é um ato mais político, é um ato que a gente tem que pensar no eleitor”, explicou. Para o senador, não adianta usar “argumento técnico” para evitar balançar a República, pois a maioria de seus eleitores espera que ele vote contra a indicação do governo.




