A divulgação do vídeo em que Michelle Bolsonaro critica publicamente Flávio Bolsonaro provocou forte repercussão nas redes sociais e abriu uma crise inédita dentro do campo bolsonarista. Levantamento da DataSocial, realizado entre a noite de quarta-feira (24/06) e esta quinta (25/06), indica que a reação digital favoreceu mais o senador do que a ex-primeira-dama.
Segundo o relatório, o universo de publicações relacionadas a Flávio Bolsonaro somou cerca de 76 mil menções, alcançando aproximadamente 198 milhões de usuários e gerando cerca de 2 milhões de interações. Desse total, 54% das manifestações foram classificadas como positivas, 16% neutras e 30% negativas.
A análise aponta que a principal força de apoio ao senador veio da própria base bolsonarista. Entre as narrativas mais frequentes estavam apelos à união da direita, a defesa da liderança de Jair Bolsonaro e críticas à postura de Michelle. Também houve tentativas de redirecionar o debate para a disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com o relatório, o grupo favorável a Flávio respondeu por 54% do volume total de menções e por 36% do engajamento registrado nas redes.
Grande parte da repercussão também foi impulsionada por veículos de imprensa e perfis de entretenimento, que trataram o episódio como uma crise familiar e política. O levantamento identificou 771 matérias sobre o caso, além de ampla cobertura em redes sociais e sites de notícias.
Já as manifestações críticas a Flávio representaram 26,8% do volume de publicações e 8% do engajamento. Nesse grupo, o relatório identificou setores da esquerda, críticos do bolsonarismo e perfis independentes que exploraram a crise para questionar a família Bolsonaro.
Em relação a Michelle Bolsonaro, o cenário foi mais desfavorável. O estudo aponta que 67% das menções à ex-primeira-dama tiveram teor negativo, enquanto 17% foram neutras e apenas 16% positivas. A principal fonte das críticas veio justamente de segmentos da base bolsonarista, que classificaram o vídeo como um gesto de traição ou de enfraquecimento do grupo político liderado por Jair Bolsonaro.
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O apoio explícito a Michelle apareceu principalmente entre mulheres e eleitores com perfil religioso, que destacaram mensagens de solidariedade, fé e defesa da ex-primeira-dama. Ainda assim, esse grupo respondeu por apenas 2% do volume de publicações e 5% do engajamento total analisado.
Nas conclusões do relatório, a DataSocial avalia que Flávio Bolsonaro conseguiu mobilizar rapidamente sua base de apoio e saiu fortalecido da disputa digital. Já Michelle teria enfrentado dificuldades para converter a repercussão do vídeo em apoio organizado nas redes. O estudo também conclui que a oposição teve participação limitada na crise, que permaneceu concentrada principalmente entre apoiadores e críticos do próprio campo bolsonarista.




