O instituto Datafolha divulgou neste sábado (07/03) pesquisa eleitoral para a disputa presidencial de 2026. O levantamento mostra que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) marca 43% das intenções de voto em cenário de segundo turno contra o presidente Lula (PT), que registra 46%. A diferença de três pontos percentuais configura empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.
O Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios brasileiros entre terça-feira (03/03) e quinta-feira (05/03). A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-03715/2026.
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Primeira aparição de Flávio nas simulações
O instituto apresentou pela primeira vez simulações eleitorais incluindo o senador fluminense após seu lançamento oficial como pré-candidato pelo Partido Liberal. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro se consolidou no campo de oposição ao governo petista.
O ex-presidente lançou a pré-candidatura de Flávio a partir da prisão. Setores do centrão receberam o movimento com ceticismo. Esses grupos preferiam o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Gilberto Kassab apresentou três postulantes pelo PSD para posteriormente escolher um deles. A estratégia não conseguiu produzir uma ameaça efetiva à posição de Flávio Bolsonaro como principal adversário do presidente na corrida eleitoral.
Vantagem de Lula diminui 12 pontos
Em dezembro de 2025, a vantagem do presidente sobre Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno era de 15 pontos percentuais. A diferença caiu para três pontos na medição atual.
Quando o adversário no segundo turno é o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), Lula vence por 45% a 41%. Este cenário permanece estável em relação a medições anteriores.
Cenários de primeiro turno
O Datafolha testou cinco cenários para primeiro turno e sete para segundo turno. Lula marca entre 38% e 39% em todos os cenários de primeira rodada. Flávio Bolsonaro flutua entre 32% e 34% nos embates diretos com o petista. Tarcísio de Freitas registra 21% quando testado.
No cenário considerado mais provável para o primeiro turno, Lula obtém 38% contra 32% de Flávio Bolsonaro. Ratinho Jr. aparece com 7%. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), marca 4%. Renan Santos (Missão) tem 3%. Aldo Rebelo (DC) registra 2%. Rejeitam todos os candidatos 11% dos entrevistados. Não sabem em quem votar 3%.
O instituto testou um cenário improvável com o ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) como candidato petista. Nessa simulação, Haddad marca 21% contra 33% de Flávio Bolsonaro.
Intenção espontânea
Na intenção de voto espontânea, sem apresentação de nomes, Lula oscilou de 24% em dezembro para 25% na pesquisa atual. Flávio Bolsonaro não era citado na rodada anterior. Aparece agora com 12%. O ex-presidente Bolsonaro, atualmente inelegível, foi mencionado por 3% dos entrevistados.
Perfil do eleitorado
O presidente mantém distribuição homogênea entre diferentes estratos socioeconômicos. Destaca-se entre nordestinos, católicos, pessoas com menor escolaridade e eleitores de menor renda. No segmento de eleitores que ganham até dois salários mínimos, Lula obtém 42%. A margem de erro para este estrato é de três pontos percentuais.
Flávio Bolsonaro concentra seu eleitorado entre evangélicos, sulistas e moradores das regiões Norte e Centro-Oeste. Sua melhor pontuação ocorre entre evangélicos, que representam 28% da amostra. Neste grupo, o senador marca 48%. A margem de erro é de quatro pontos percentuais.
Os dados revelam diferenças regionais significativas no apoio aos candidatos. O presidente mantém força no Nordeste. O filho de Bolsonaro se destaca no Sul e nas regiões Norte e Centro-Oeste. Reproduz redutos eleitorais que pertenceram ao ex-presidente.
Maiores rejeições
Lula registra 46% de eleitores que afirmam que nunca votariam nele. Flávio Bolsonaro apresenta rejeição de 45%. Ambos os líderes concentram as maiores taxas de rejeição entre os pré-candidatos.
Lula é amplamente conhecido pelo eleitorado. Apenas 1% dos entrevistados nunca ouviu falar do presidente. Acumulando quase três mandatos completos, o petista enfrenta alta rejeição consolidada. Flávio Bolsonaro é desconhecido por 7% dos eleitores.
Ratinho Jr. apresenta cenário diferente. Tem 19% de rejeição e 38% de desconhecimento entre os eleitores.
Postulantes do PSD
Entre os três postulantes do PSD, Ratinho Jr. apresenta melhor desempenho que os governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. O governador paranaense aparece como o mais bem posicionado entre os candidatos do partido. Permanece distante dos dois primeiros colocados na disputa.
Contexto político e econômico
O escândalo do Banco Master tem poupado o núcleo do governo até o momento. A percepção de corrupção acaba sendo atribuída ao Executivo.
O foco no ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes favorece Flávio Bolsonaro. Moraes é visto como algoz do ex-presidente por seu papel na investigação e julgamento da trama golpista. Esse benefício é limitado. O entorno de Bolsonaro é mais citado no caso, a começar pelo ex-chefe da Casa Civil Ciro Nogueira (PP).
O escândalo do INSS atinge o governo e o próprio presidente. Fábio Luís, filho de Lula, está cada vez mais envolvido devido à sua ligação com um personagem central do caso. Os pesquisadores do Datafolha estavam em seu último dia de coleta de dados quando surgiram informações sobre movimentações na conta bancária de Fábio Luís.
Incertezas econômicas se somam às dúvidas sobre o impacto da guerra no Oriente Médio. Embora, como se diz proverbialmente em Brasília, “o povo não come PIB”, a perda de fôlego do indicador em 2025 devido às altas taxas de juros pode aumentar a insatisfação com o governo. A classe média tem registrado queda no consumo das famílias.
A polêmica em torno da homenagem feita pela rebaixada Acadêmicos de Niterói ao presidente no Carnaval também contribui para o cenário.
A gordura acumulada no segundo semestre de 2025 secou por ora. Aquele período foi marcado pela bem-sucedida campanha pela soberania no embate com Donald Trump, pela conquista da simpatia do americano e pela prisão de Bolsonaro.
A pesquisa não esclarece qual será a escolha definitiva do PSD entre seus três postulantes. Também permanece indefinido se o cenário eleitoral manterá a configuração atual ou se haverá alterações nas candidaturas até a realização do pleito.




