Com 80% das famílias endividadas, brasileiros precisam planejar compras no Dia do Consumidor

Especialistas alertam para compras conscientes e uso planejado de pagamentos digitais

Por Redação TMC | Atualizado em
Foto: SenivPetro/Freepik
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As promoções do Dia do Consumidor, celebrado no próximo domingo (15/03), devem impulsionar o comércio em todo o país. A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) projeta que a data movimente cerca de R$ 8,6 bilhões em vendas. Apesar da expectativa positiva para o varejo, o período coincide com um momento sensível para o orçamento das famílias brasileiras. Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indica que 80,2% dos lares do país possuem algum tipo de dívida, o maior índice já registrado desde o início da série histórica da pesquisa.

De acordo com o estudo, o endividamento atinge todas as faixas de renda, mas é mais acentuado entre as famílias que recebem até cinco salários mínimos, grupo em que 82,9% declararam possuir compromissos financeiros. Em média, 29,7% da renda familiar já é direcionada ao pagamento de dívidas, enquanto aproximadamente 20% dos consumidores afirmam utilizar mais da metade do salário para quitar esses débitos.

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Diante desse cenário, especialistas ressaltam a importância de aproveitar as promoções sem comprometer ainda mais o orçamento doméstico. Patrick Santos, doutor em economia e gerente de planejamento da Multimarcas Consórcios, recomenda cautela antes de qualquer compra.

Antes de finalizar uma compra, é importante avaliar se o desconto realmente cabe no orçamento e se o produto já estava previsto no planejamento. Comparar preços, verificar possíveis taxas extras e ter atenção aos parcelamentos longos são medidas essenciais, já que essas parcelas podem comprometer a renda por vários meses”, orienta.

O especialista também destaca que promoções podem ser vantajosas quando fazem parte de um planejamento financeiro. “Comprar de forma consciente ajuda a evitar dívidas inesperadas e garante que o consumidor aproveite a data com benefícios reais, sem prejudicar a saúde financeira nos meses seguintes”, acrescenta.

O contexto econômico atual também exige atenção. A taxa Selic está em 15%, e o mercado acompanha a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que pode reduzir o índice para 14,5%. Mesmo com possíveis cortes ao longo do ano, as taxas de juros cobradas em modalidades como cheque especial e crédito rotativo continuam elevadas, o que contribui para manter muitas famílias em um ciclo constante de endividamento.

Mesmo com eventuais reduções na Selic, o impacto direto para o consumidor costuma ser limitado. Juros elevados no crédito rotativo e no cheque especial continuam pressionando o orçamento, por isso planejar cada compra é fundamental, especialmente em datas promocionais”, alerta Santos.

PIX como meio de pagamento favorito

Outro aspecto relevante é a consolidação dos meios de pagamento digitais. Hoje, o PIX já é utilizado por cerca de 80% dos brasileiros, tornando-se uma das formas mais populares de pagamento no país. Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, realizada em parceria com a Offerwise, aponta que 41% das lojas físicas aceitam o PIX, enquanto no comércio eletrônico o percentual chega a 55%. A modalidade se destaca pela rapidez, praticidade e, em muitos casos, pela oferta de descontos exclusivos.

Apesar das vantagens, especialistas alertam que a facilidade pode incentivar compras impulsivas, especialmente entre consumidores já endividados. Marlon, especialista em meios de pagamento da Pagsmile, ressalta a importância do controle financeiro. “O PIX é rápido e muitas vezes oferece benefícios, como descontos nas transações, mas isso não significa que toda compra seja necessária. Para quem já tem dívidas, cada pagamento deve ser planejado com cuidado, mesmo quando a oferta parece vantajosa”, explica.

Outras tecnologias também vêm ampliando sua presença no cotidiano dos consumidores. Segundo o levantamento, 86% dos brasileiros já utilizaram pagamentos via QR Code, principalmente pela rapidez e pela redução de erros nas transações. Além disso, 81% já adotaram o pagamento por aproximação, sistema em que o cartão físico ainda é o mais utilizado, embora o celular já represente quase metade dessas operações.

Para os especialistas, o principal desafio atualmente é equilibrar a praticidade dos pagamentos digitais com responsabilidade financeira. “A tecnologia facilita muito o processo de compra, mas o consumidor precisa manter o controle do orçamento. Aproveitar o Dia do Consumidor de forma consciente exige planejamento e cautela, mesmo com ferramentas de pagamento cada vez mais rápidas”, conclui Marlon.

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