O governo brasileiro pode adotar medidas de reciprocidade contra agentes policiais dos Estados Unidos que atuam no país, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A medida responde à expulsão do delegado Marcelo Ivo de Carvalho do território americano, onde exercia a função de oficial de ligação da Polícia Federal na Flórida.
Lula soube da expulsão pela manhã e reagiu durante entrevista à imprensa brasileira na Hannover Messe 2026, feira industrial realizada na Alemanha. “Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer reciprocidade com o dele no Brasil. Não tem conversa”, afirmou o presidente.
O Departamento de Estado americano determinou a saída do delegado brasileiro após sua participação na prisão de Alexandre Ramagem. O ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência durante o governo Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por crimes contra a ordem democrática. A sentença inclui tentativa de golpe de Estado.
Ramagem deixou o Brasil pela fronteira com a Guiana. As autoridades brasileiras o consideram foragido desde então.
O Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental publicou nota na rede social X. O órgão vinculado ao Departamento de Estado classificou a atuação do delegado como tentativa de “manipular” o sistema de imigração americano. A nota solicitou que “o funcionário brasileiro relevante deixe nossa nação”.
Lula rejeitou a interferência estrangeira sobre agentes brasileiros. “Nós não podemos aceitar essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas personagens americanas querem ter com relação ao Brasil”, declarou.
O presidente foi questionado sobre a suspensão das negociações entre Irã e Estados Unidos durante a mesma entrevista. Lula classificou o conflito como “guerra da insensatez”. Ele recordou um episódio diplomático de 2010 envolvendo Brasil, Turquia e Irã.
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“Aquilo que os americanos querem que o Irã faça com o urânio, o Brasil e a Turquia fizeram um acordo com o Irã em 2010 que os Estados Unidos não aceitou e nem a União Europeia”, disse Lula. “Não quiseram aceitar o acordo, agora estão outra vez discutindo a mesma coisa que teria sido resolvida em 2010.”
O presidente afirmou que a população mais vulnerável sofre as consequências dos conflitos internacionais. “Quem vai pagar o preço por isso é a pessoa que vai comprar carne, que vai comprar feijão, que vai comprar arroz, é o caminhoneiro que trabalha que vai pagar mais caro o combustível.”




