A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou neste sábado (9) que todas as pessoas a bordo do cruzeiro MV Hondius devem ser consideradas contatos de alto risco após o surto de hantavírus registrado na embarcação. A recomendação é que passageiros e tripulantes sejam monitorados ativamente por 42 dias.
A informação foi divulgada por Maria Van Kerkhove, diretora de preparação e prevenção de epidemias e pandemias da OMS. Segundo ela, o acompanhamento será feito após o desembarque dos ocupantes do navio, previsto para ocorrer nas Ilhas Canárias, na Espanha, neste domingo (10).
“Classificamos todas as pessoas a bordo como contatos de alto risco“, afirmou Van Kerkhove em vídeo publicado nas redes sociais da entidade.
Apesar do alerta, a OMS reforçou que o risco para a população em geral continua sendo baixo, incluindo para os moradores das Ilhas Canárias, onde ocorrerá a operação de evacuação.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou neste sábado à ilha espanhola de Tenerife para acompanhar pessoalmente o desembarque dos passageiros. A operação ocorrerá no porto industrial de Granadilla de Abona, no sul da ilha.
Em carta aberta divulgada aos moradores da região, Tedros afirmou que a situação “não é outra Covid” e pediu calma à população local.
“Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra Covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo“, escreveu o chefe da OMS.
Ao mesmo tempo, ele reconheceu a gravidade da cepa identificada no cruzeiro. Segundo Tedros, três pessoas morreram em decorrência da doença.
O último balanço da OMS aponta seis casos confirmados entre oito suspeitos. Entre os mortos estão um casal de passageiros holandeses e uma mulher alemã.
O MV Hondius, operado pela empresa holandesa Oceanwide Expeditions partiu em 1º de abril de Ushuaia, no extremo sul da Argentina. Nos últimos dias, o navio permaneceu em isolamento enquanto autoridades internacionais definiam o plano de evacuação.
Segundo a operadora, não há mais pessoas com sintomas a bordo.
Operação de evacuação
As autoridades espanholas prepararam um esquema especial para evitar contato entre os passageiros e a população local. Após exames realizados ainda no navio, os viajantes serão levados por embarcações menores até terra firme e, em seguida, transportados em ônibus isolados até o aeroporto de Tenerife Sul.
De acordo com o ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, os passageiros serão repatriados em voos destinados a países como Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Bélgica, Irlanda e Países Baixos.
O sistema público de saúde britânico, o NHS, informou que cerca de 20 passageiros do Reino Unido deverão cumprir quarentena em um hospital próximo a Liverpool.
Após o desembarque dos passageiros, o MV Hondius seguirá para os Países Baixos, onde passará por um processo completo de desinfecção.
Resistência local e temor nas Canárias
A chegada do navio provocou preocupação entre moradores e autoridades regionais das Ilhas Canárias, que inicialmente se opuseram à atracação da embarcação.
Mesmo assim, o governo espanhol decidiu aceitar o pedido da OMS para receber o cruzeiro. Após reunião com Tedros, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que oferecer um porto seguro ao navio é “um dever moral e legal”.
Nas ruas de Granadilla de Abona, moradores relataram preocupação diante da repercussão internacional do caso, embora a rotina da cidade tenha seguido normalmente neste sábado, com praias e feiras abertas.
O hantavírus é uma doença rara transmitida principalmente pelo contato com fezes, urina ou saliva de roedores infectados. Em casos graves, pode provocar síndrome respiratória aguda. Atualmente, não existe vacina nem tratamento específico contra a doença.
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