A Venezuela volta ao noticiário mundial por causa da catástrofe da última quarta-feira (24/06) e assim permanecerá nos próximos dias, talvez semanas. No máximo.
Volta? Sim, porque após o histórico 3 de janeiro passado, quando o planeta parou e acompanhou a ação do Exército dos Estados Unidos para a prisão de Nicolas Maduro, a Venezuela passou de assunto do dia para uma nação como outra qualquer, sem importância para o noticiário.
No 3 de janeiro em questão e nos dias seguintes, chefes de Estado e organizações supranacionais se manifestaram, na maioria questionando a legitimidade da ação de Donald Trump. Soberania passou a ser um conceito repetido à exaustão nos jornais e nas redes sociais, e especialistas passaram a debater se uma nova ordem mundial estava nascendo.
Com o tempo, no entanto, como cada um de nós, incluindo presidentes e primeiros-ministros, tem as coisas da vida para cuidar, a Venezuela foi sendo esquecida. Ficou a dúvida sobre a sinceridade ou, no mínimo, a eficiência dos protestos de lideranças que no início alertavam para os exageros cometidos pelo presidente Trump.
Rapidamente os Estados Unidos passaram de inimigo invasor a referência política e econômica da Venezuela, o que desagradou à Rússia, com quem os caribenhos mantinham laços históricos.
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Com os dois terremotos da quarta-feira atingindo especialmente o norte do país, os mais fortes na região há pelo menos um século, não deve ter faltado a você, no dia seguinte, uma sensação de déjà vu ao ver as mesmas lideranças se dizendo prontas para ajudar o povo venezuelano neste momento difícil – mais um.
No momento em que este texto é concluído, o registro oficial é de 235 mortos e mais de 4 mil feridos, sem falar na destruição da infraestrutura local. A história mostra que esses números podem aumentar bastante. Seguiremos acompanhando o andamento dos fatos, inclusive o cumprimento das promessas.