Câmara aprova política de minerais estratégicos com fundo de R$ 5 bi no Brasil

Projeto institui conselho vinculado à Presidência e crédito tributário de R$ 1 bi por ano entre 2030 e 2034 para empresas que processarem minérios em território nacional

Por Onze News | Atualizado em
Visão de cima do plenário da Câmara dos Deputados
(Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

A Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do projeto que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A votação ocorreu nesta quarta-feira (06/05). O projeto autoriza a criação de um fundo garantidor para estimular projetos do setor e estabelece crédito tributário de R$ 5 bilhões destinado ao processamento de minérios em território brasileiro.

A proposta institui o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), vinculado à Presidência da República. O texto autoriza a União a instituir o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), com participação como cotista limitada a R$ 2 bilhões. O fundo terá natureza privada e não poderá contar com garantia ou aval do poder público.

Siga o canal da TMC no WhatsApp e receba as últimas notícias

A votação teve apoio do governo e de parte da oposição. A Federação Psol/Rede e o partido Novo se posicionaram contra a proposta.

Minerais críticos e estratégicos

Os minerais críticos e estratégicos são cobiçados pela indústria e diplomacia mundial. Entre eles estão as terras raras, grupo de 17 elementos químicos essenciais para o funcionamento de produtos modernos. O lítio, o cobalto, o níquel e o grafite são fundamentais para baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores.

Esses minerais são vitais para a economia global no contexto da transição energética, incluída a mobilidade de baixo carbono, e do avanço da inteligência artificial e da digitalização das empresas.

O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), relator do projeto, afirmou: “É um assunto de interesse mundial, é um assunto que está para o futuro, como o petróleo esteve para o desenvolvimento de diversos países importantes. Não tem tecnologia sem a exploração das terras raras e dos minerais críticos”.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos aponta que o Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China. O Brasil possui a maior reserva de nióbio do mundo, ocupa a segunda posição em reservas de grafita e a terceira maior em reservas de níquel.

O país ainda não domina plenamente a tecnologia de beneficiamento e transformação industrial das terras raras e demais minerais críticos e estratégicos. O Brasil exporta, em boa parte, os minerais como commodities brutas, sem agregar valor. O programa criado pela proposta busca preencher essa deficiência no processamento dos recursos minerais.

Fundo garantidor e crédito tributário

O fundo garantidor poderá alcançar até R$ 5 bilhões para estimular projetos. Conforme o relator, o BNDES estima que sejam necessários R$ 5 bilhões para destravar os projetos. Além das cotas previstas, poderão integrar o patrimônio do fundo contribuições voluntárias dos estados, Distrito Federal e municípios, além de resultados das aplicações financeiras dos recursos.

O texto institui o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE), que concederá crédito fiscal para empresas que processarem esses materiais em solo brasileiro. A concessão do crédito fiscal vai estar em vigor entre os exercícios de 2030 a 2034, com limite anual de R$ 1 bilhão.

Apenas empresas constituídas sob a legislação brasileira e que tenham sede e administração no Brasil terão direito ao benefício. Essas companhias precisarão comprovar investimentos no processamento de minerais críticos e estratégicos no país.

A proposta estabelece uma estrutura progressiva que aumenta o crédito tributário conforme se avança na cadeia produtiva. Os produtos que darão direito ao benefício incluem concentrados, concentrados em grau bateria (carbonatos, hidróxidos, sulfatos, óxidos, esferoides e materiais ativos de cátodo e precursores), concentrados em grau adequado para a produção de ímãs permanentes para motores elétricos (óxidos, cloretos e metais ou ligas), fertilizantes (fosfatados, potássicos e nitrogenados) e sistema de armazenamento de energia.

O Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE) será responsável pela definição dos demais produtos elegíveis. Empresas que firmarem contrato de longo prazo, com duração mínima de cinco anos, para a compra de um ou mais produtos listados também poderão receber o crédito fiscal.

Atribuições do conselho

O Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos elaborará uma lista de minerais críticos e estratégicos. A lista será revisada a cada quatro anos.

A estrutura vinculada à Presidência da República será responsável por homologar a venda de mineradoras que detêm direitos de exploração de minerais críticos e estratégicos. O conselho e a Agência Nacional de Mineração (ANM) terão a atribuição de homologar o acesso a informações geológicas de interesse estratégico ou participação de empresas estrangeiras em mineradoras credenciadas a explorar minérios críticos e estratégicos.

Caberá homologação para contratos, acordos ou parcerias internacionais que envolvam fornecimento dos minerais críticos e estratégicos em condições que possam afetar a segurança econômica ou geopolítica do país. A alienação, cessão ou oneração de ativos minerais pertencentes, direta ou indiretamente, à União também passará pelo mesmo processo.

O relator alterou este trecho atendendo a pedido dos parlamentares. A versão anterior estabelecia análise prévia do conselho para essas atividades. A redação aprovada prevê apenas homologação.

“Estamos substituindo o conteúdo e a anuência prévia pelo conceito de homologação. Cabe ao conselho homologar projetos e disposição e mudança societária”, explicou o relator.

O conselho será composto por 15 representantes de órgãos do Poder Executivo. A estrutura contará ainda com um representante de estados e do Distrito Federal, um representante dos municípios, dois representantes do setor privado e um representante da sociedade civil.

O texto determina que as áreas com potencial para a produção de minerais críticos e estratégicos deverão ser priorizadas em leilões realizados pela Agência Nacional de Mineração (ANM). A área desonerada e aquela decorrente de qualquer forma de extinção do direito minerário deverá ser submetida a leilão pela ANM no prazo máximo de dois anos contado da data de sua desoneração ou extinção do direito minerário.

A proposta estabelece um período de autorização para pesquisa em áreas de minerais críticos ou estratégicos de no máximo 10 anos. O relator ampliou o prazo, que antes era de cinco anos.

O projeto cria o Cadastro Nacional de Projetos de Minerais Críticos e Estratégicos, que reunirá todos os projetos de minerais críticos e estratégicos implementados em território nacional, nos termos do regulamento. O texto institui um sistema de rastreabilidade da cadeia produtiva, cujo objetivo é identificar eventuais ilicitudes.

Leia mais: STF reitera proibição a criação de verbas extras para servidores públicos e veto a penduricalhos

Ao vivo
São Paulo
Ouça a TMC pelo Brasil
  • 100,1FM São Paulo
  • 101,3FM Rio de Janeiro
  • 100,3FM Curitiba
  • 88,7FM Belo Horizonte
  • 92,7FM Recife
  • 100,1FM Brasília
Notícias que importam para você
Copyright © 2026 CNPJ: 44.060.192/0001-05