A Justiça da Itália voltou a autorizar a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli ao Brasil, nesta quinta-feira (16/04). Desta vez, a autorização está relacionada ao caso do porte de arma. Esta é a segunda autorização de extradição concedida pela Justiça italiana contra a ex-parlamentar.
No fim de março de 2026, a Corte de Apelações da Itália – última instância da justiça italiana – já havia acatado outro pedido de extradição formulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Aquela decisão se referia à invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A defesa de Zambelli apresentou um recurso em 10 de abril de 2026 contra a primeira decisão favorável à extradição. A defesa busca reverter a autorização relacionada ao caso da invasão dos sistemas do CNJ.
A Justiça italiana analisou o pedido de extradição com base no tratado recíproco de extradição entre os dois países. O acordo está vigente desde 1993. O primeiro artigo do tratado estabelece que Brasil e Itália ficam obrigados a entregar, um ao outro, pessoas procuradas pelo outro país – seja para levar a julgamento ou para cumprir uma pena restritiva de liberdade.
O STF formalizou o pedido de extradição, assinado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Zambelli é considerada foragida da Justiça brasileira. A ex-deputada deixou o país em maio de 2025, após uma condenação do Supremo.
Zambelli saiu do Brasil pela fronteira com a Argentina e, antes de chegar ao país europeu, ela também passou pelos Estados Unidos. A ex-parlamentar está presa em um presídio nos arredores de Roma que abriga mulheres em regimes de segurança média e alta. O presídio é dividido em oito seções.
Leia mais: 1/3 do eleitorado rejeita rótulos de esquerda e direita, e 65% não se alinha a Lula ou Flávio
Condenação e prisão
O STF condenou Zambelli a 10 anos de prisão por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça. A ex-deputada está presa na Itália desde 29 de julho de 2025. As autoridades italianas mantêm Zambelli presa porque entendem que há risco de fuga.
Em dezembro de 2025, o STF ordenou a cassação do mandato de Zambelli. A decisão revogou posição contrária da Câmara dos Deputados. Três dias após a decisão do Supremo, ela entregou uma carta de renúncia à Casa.
Ainda cabe recurso da defesa contra a decisão de extradição. Após essa etapa, o caso será levado para decisão final do governo italiano. Não há informações sobre quando ocorrerá a decisão final do governo italiano sobre a extradição.
Argumentos da defesa
A defesa de Zambelli divulgou um comunicado sobre o recurso apresentado contra a primeira decisão de extradição. “Desde o início, a defesa sustenta pontos que agora são reiterados no recurso, como questionamentos sobre o sistema carcerário brasileiro, críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes e possíveis irregularidades processuais”, diz o comunicado divulgado pelos advogados da ex-deputada.
“Os advogados também destacam que o crime de natureza digital atribuído à parlamentar não possui equivalência na legislação italiana, requisito essencial para a extradição. Além disso, contestam a validade do pedido brasileiro, sob o argumento de que não teria sido formalizado pela autoridade competente à época”, afirma a nota.
Zambelli possui cidadania italiana. O tratado de extradição entre Brasil e Itália já foi acionado dezenas de vezes ao longo dos anos.




